Sprinta Blog entrevista o atleta e empresário esportivo Mário Roma

Por: Sprinta / Blog
19/07/2018 - 22:45:06

Você já saiu alguma vez para pedalar e supôs que as trilhas por onde passa seriam suficientes para satisfazer a gana por desafios de grandes nomes do MTB mundial?

Mario Roma é desses. Por onde ele pedala seguem no rastro nomes como Jaroslav Kulhavy e Henrique Avancini.

Conhece alguém que largou a vela oceânica, contando duas participações em Olimpíadas, desafiou-se na Transalp e, depois, transferiu os conhecimentos obtidos no mar para tornar Botucatu a cidade-sede do maior evento outdoor do Brasil?

Mario Roma passou por tudo isso e quer realizar ainda mais. Na entrevista para o blog do SPRINTA, o lisboeta fundador da Brasil Ride conta um pouco da sua trajetória e a visão que sustenta sobre a gestão e organização de equipes e eventos.

Por que o Brasil? O que fez você escolher o país para morar e empreender?

Os dois principais fatores foram o clima e as oportunidades de crescimento.

E Botucatu? Como essa cidade do interior de São Paulo tornou-se a sua base e a sede de edições da Brasil Ride? 

Botucatu sempre foi meu centro de treinamento. Só comecei a fazer eventos na cidade em 2013. Em seis anos, transformamos a cidade em um pólo de esportes outdoor e que, hoje, recebe o maior evento de esportes outdoor do Brasil, com mais de cinco mil atletas.

A vela levou você para duas Olimpíadas. Como a bike entrou na sua vida?

Nunca gostei de correr a pé e a bike sempre foi meu treino aeróbico. Após deixar a vela profissional, vi uma matéria sobre a maior prova do mundo de MTB, a Trasalp, que tem sete dias de competição, 60 Km em cada um deles e um total de 22 mil metros de ascensão. Me parecia uma loucura alguém fazer isso de bike. Saí correndo atrás de um parceiro. Não achei nenhum no Brasil e nem em Portugal. Acabei competindo com uma amiga inglesa, já praticante de MTB. A partir daí o bichinho da competição e do desafio voltou a atacar e não parei mais. Mas agora no mundo da bike.

Quem participa de um evento produzido por você e pela sua equipe tem a sensação de que tudo ali foi elaborado com muito cuidado. Até para os imprevistos existe uma solução imediata que já foi pensadapreviamente. Fale um pouco sobre como nasce a ideia de um evento e como começa o planejamento.

Nos eventos da Brasil Ride uso muito a experiência de logística e planejamento da vela oceânica, buscando reduzir a margem de erro e não a de acerto. Trabalhar em equipe, delegar funções, muito planejamento prévio (quem vai para o mar se previne em terra), tudo isso sob o lema principal da Brasil Ride, respeito, que exijo de ambos os lados: dos atletas e do staff. Os eventos nascem de experiências que eu vivi ou locais que conheci. Os percursos não são usados previamente pelos atletas sem que eu não tenha feito antes inúmeras vezes.

Tanto atletas como pessoas que apenas visitam seus eventos reconhecem a estrutura impecável. Como você motiva a equipe para buscar a excelência?

Dando autonomia a cada responsável, valorizando o trabalho de cada um e compartilhando todas as nossas conquistas como uma equipe e não individualmente. Meu lema é: espirito de equipe e trabalho permite que pessoas comuns atinjam resultados incomuns!

Quem segue você no Instagram vê que a sua busca por novas trilhas não tem fim. Você até utiliza a hashtag #semfreio. O que significa para você manter-se sempre com o instinto de explorador, digamos, ativado?

Sempre estou buscando algo novo, seja para estrutura, novos eventos ou desafios. O tempero são as trilhas. Elas são a magia do nosso negócio. É algo só meu essa busca eterna pelas melhores e mais épicas trilhas. Descobrí-las, uní-las, saber somar todas por um, três ou sete dias. É o meu desafio pessoal, que depois se torna coletivo ao conseguir agradar campeões mundiais e amadores que buscam se superar, sair da zona de conforto e fazê-los experimentar mais que uma prova, mas uma etapa das suas vidas.

Como você transfere essa motivação de manter-se como explorador para os eventos e os atletas? Afinal, você interage bastante com seus seguidores nas mídias sociais e deixa todo mundo com vontade de explorar trilhas e cachoeiras ao seu lado.

Fazer grandes eventos e entregar excelência é minha profissão e obrigação para com meus clientes. Quando estou incentivando as pessoas, as provocando para novos desafios, compartilhando conhecimento e experiências estou deixando um legado. Isso está além da minha obrigação profissional. E aí é um prazer só meu, pessoal, em deixar e criar um legado. Hoje isso me dá um prazer imensurável. A Brasil Ride é uma empresa com mais de 13 eventos por ano. Uma equipe de excelentes profissionais trabalhando 365 dias para que tudo aconteça em nosso escritório e outros tantos parceiros que estão conosco há mais de 10 anos em nossos desafios.

Como está a expectativa para a 7ª Etapa da Ultramaratona Brasil Ride, em Arraial D´Ajuda/BA? 

A Brasil Ride hoje atingiu o top das stage race no mundo. Ano passado a mídia internacional pontuou a Cape Epic como Tour de France do MTB e a Brasil Ride como o Giro d’Italia. O que mais poderíamos escutar levando em conta que uma tem 16 e a outra 9 anos? E a África do Sul é um país onde existem 44 stage races e o ciclismo no Brasil está engatinhando. Sempre, todos anos, pensamos o que mais podemos fazer. Em 2018, focamos em grandes marcas na Brasil Ride e não poderia ser outra na área do ciclismo além da Specialized, a marca mundial de bikes, com maior destaque no mercado. Essa associação rendeu logo grandes frutos para a Brasil Ride, com a vinda do campeão da olimpíada de Londres; Jaroslav Kulhavy, da República Checa; e outras feras do MTB mundial. Isso elevou a disputa da Brasil Ride 2018. Kulhavy e seu parceiro, o norte-americano Howard Grotts, estão confirmados para competir contra duplas como a formada pelo brasileiro Henrique Avancini e o português Tiago Ferreira. Anunciaremos em breve novos nomes. Além dos atletas, teremos a chegada de outra grande marca mundial para se juntar ao seleto grupo de patrocinadores da Brasil Ride, como a Shimano, conosco há mais de 14 anos, a Unidas Locadora, Caixa e Red Bull.

E o mundial, em 2019, em Costa Rica/MS? O que dá para adiantar para os atletas?

O mundial é um desafio que eu sonhava há muito tempo para o Brasil. E ao ser apresentado ao prefeito de Costa Rica, Waldeli dos Santos Rosa, encontrei o parceiro ideal para essa tarefa gigantesca. Em três anos, após realizar a prova de 24h MTB no Brasil, nos candidatamos para sediar o mundial e fomos eleitos. Tenho certeza que essa parceria entre a Roma Sports MKT e a prefeitura da Costa Rica será memorável. Receber atletas de todo o Brasil e de todo o mundo nesta cidade encantadora, capital dos esportes outdoor do Mato Grosso do Sul, será um marco na historia do MTB no Brasil. A primeira vez que sairá do Brasil um campeão mundial de uma modalidade de MTB. 

https://blog.sprinta.com.br/entrevista-mario-roma-brasil-ride

 

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