Procissão

Por: Rosângela Nascimento
09/08/2017 - 21:08:08

Sempre estou por aqui a escrever sobre minha infância em Gurupá-mirim. É, aquela terra de barro vermelho deixou gravada em minha memória afetiva, muitas histórias, muitas lembranças que guardo com carinho e forjaram em mim sentimentos bons que me põem a escrever.

E hoje particularmente estava me lembrando das festas da padroeira do vilarejo: Nossa Senhora D’AJUDA. Ah! Como o mês de agosto era esperado! As terras de Gurupá-mirim foram doadas a Nossa Senhora D’Ajuda por um fazendeiro da região que alcançou uma graça de uma promessa que ele fez para santa, por isso ela é a padroeira do lugar, as pessoas que ali chegavam não precisavam comprar terras para morar. Esse era um hábito comum de antigamente, assim nasceram alguns vilarejos.

Em todo povoado era uma grande movimentação, principalmente nas casas das costureiras: Dona Atília, Altina e Lelinha. Todos queriam roupas novas para a festa, batizados. E então, eis que chegava o dia tão esperado, retratistas, vendedores ambulantes também apareciam nessa época, políticos (eles nunca foram muito diferentes, sempre se aproveitaram da boa fé do povo, mas depois falo disso). Até hoje minha mãe guarda um retrato dos três filhos mais velhos, eu e minha irmã com vestidos iguais e a sobra do pano fez-se uma camisa para meu irmão, então estamos lá os três na porta da Igreja.

Um registro de um tempo de meninices, alegria, fé e simplicidade.
Mas, o que eu mais gostava de tudo isso era a PROCISSÃO.

Nossa como eu adorava acompanhar o andor de Nossa Senhora cantando:
“Mãezinha do céu,
Eu não sei rezar,
Eu só sei dizer, eu quero te amar;
Azul é teu manto,
Branco é seu véu,
Mãezinha eu quero te ver
Lá no céu”.

Cantar para Nossa Senhora enchia e ainda enche minha alma de alegria, como diria Maria Bethânia, Nossa Senhora é uma moça tão simples, que a gente sente vontade de cantar e contar tudo para ela. Até hoje quando vou à festa dela em Arraial D’Ajuda me encanta ver tanta gente diferente acompanhando o andor de Maria com tanto amor e devoção e eu sou mais uma de tantas devotas e devotos de Nossa Senhora, amor que tenho desde pequena acompanhando as procissões junto com minha mãe em Gurupá-mirim. Ali naquela terra começou a minha devoção a Maria nessa encarnação e trago comigo até hoje esse amor pela mãe do menino Jesus, Nossa Mãe, Nossa Mãezinha.

E hoje quero pedi a ela que olhe pelo nosso país, e tenha compaixão de tantos filhos que sofrem pela incompreensão de alguns. Nossa Senhora venha nos valer!

Rosângela Nascimento
Escritora, cronista, poetiza, atriz
e ativista cultural e editora do NPM MULHER

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