
Por:Urbino Brito
Nos últimos dias, o mercado do boi gordo no Brasil tem apresentado oscilações nos preços da arroba, refletindo as dinâmicas de oferta e demanda entre pecuaristas e frigoríficos, além da influência do comércio internacional e das escalas de abate. Os dados mais recentes do Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ mostram um mercado com leve desvalorização, após períodos de estabilidade e pequenas altas.
Segundo as divulgações mais recentes para a quinta-feira (8), a arroba do boi gordo no estado de São Paulo está sendo negociada a R$ 318,15, com uma leve queda diária (-0,16%) e recuo mensal (-0,33%) no indicador CEPEA/ESALQ. Esses números indicam um momento de ajuste no mercado, após semanas de preços próximos aos R$ 319/@.
Nos dias imediatamente anteriores, a cotação apresentou valores semelhantes:
Terça-feira (6): R$ 318,50/@, com variação negativa diária de -0,22%.
Quarta-feira (31 de dezembro): R$ 319,20/@, em um momento de valorização registrada antes do início de janeiro.
Essa estabilidade próxima de R$ 318–319/@ nos últimos dias indica que o mercado físico segue equilibrado, com frigoríficos mantendo escalas de abate e pecuaristas ajustando suas ofertas conforme a demanda por carne bovina no Brasil e no exterior.
Os preços do boi gordo no CEPEA são influenciados por diversos fatores:
Oferta de animais prontos para abate: Quando há maior disponibilidade, os frigoríficos conseguem negociar preços menores; quando a oferta diminui, há suporte para preços mais altos.
Escalas de abate: Escalas confortáveis tendem a pressionar os preços para baixo, enquanto escalas mais apertadas podem sustentar ou elevar as cotações.
Demanda interna e externa: Exportações robustas e consumo interno firme ajudam a manter os preços atrativos para o produtor.
Condições climáticas e custo de produção: A entressafra das pastagens ou custos mais elevados podem pressionar a oferta e, consequentemente, as cotações.
Comparação histórica: Dados sugerem que, mesmo com oscilações recentes, os preços em 2025/2026 têm se mantido significativamente acima dos níveis médios observados em anos anteriores — em 2024, por exemplo, o preço médio da arroba aumentou cerca de 25,8% comparado ao final de 2023.
Apesar do recuo leve observado nos últimos dias, o preço do boi gordo permanece em patamares consideráveis, refletindo um cenário de equilíbrio entre oferta e demanda no curtíssimo prazo. Em 2025, o mercado apresentou momentos de alta sustentada, com negócios chegando em torno de R$ 330/@ em alguns períodos, impulsionados pela recuperação das pastagens e maior interesse de exportadores.
A análise histórica do CEPEA também mostra que os preços brasileiros da arroba estão distantes dos picos observados em mercados internacionais, como nos Estados Unidos, onde a arroba chegou a níveis historicamente elevados, quase três vezes maiores que a média brasileira em determinados períodos.
O mercado do boi gordo, conforme medido pelo Indicador CEPEA/ESALQ, está vivendo um momento de leve ajuste de preços após um período de estabilidade perto de R$ 318–319 por arroba. Essa oscilação é comum em mercados com variáveis fortes de oferta, demanda e exportação. Pecuaristas e frigoríficos devem continuar acompanhando de perto as cotações diárias e os fatores sazonais que podem influenciar os preços ao longo de 2026.