
Produção recorde no Brasil pressiona preços e leva cotações aos menores níveis em mais de um ano
Por: Urbino Brito
O mercado global de café encerrou a sessão da última quinta-feira (19) sob forte pressão, com quedas expressivas nas principais bolsas internacionais. O destaque negativo ficou para o café arábica, que atingiu o menor patamar em cerca de 15 meses, enquanto o robusta (conilon) recuou ao nível mais baixo em 6 meses, conforme dados do Barchart.
A principal razão por trás desse movimento baixista está na expectativa de uma safra robusta no Brasil. Segundo projeções da Conab, a produção nacional de café em 2026 deve crescer 17,2% em relação ao ano anterior, alcançando um recorde histórico de 66,2 milhões de sacas.
O crescimento é puxado especialmente pelo café arábica, que deve registrar alta de 23,2%, totalizando 44,1 milhões de sacas. Já o robusta (conilon) também apresenta avanço, ainda que mais moderado, com aumento de 6,3%, chegando a 22,1 milhões de sacas.
Esse cenário de maior oferta tem impactado diretamente os preços internos. Dados do Cepea mostram uma queda significativa nas cotações em menos de um mês:
Café arábica: caiu de R$ 2.146,49 (28/01) para R$ 1.818,91 (atual)
Café robusta (conilon): recuou de R$ 1.239,04 (28/01) para R$ 1.027,75 (atual)
Essa desvalorização reflete não apenas o aumento da oferta, mas também um ajuste natural do mercado diante de expectativas mais otimistas para a produção brasileira — maior exportador global da commodity.
Comparativo da queda de preços
O que esperar daqui pra frente?
Com a confirmação de uma safra recorde, o mercado tende a continuar pressionado no curto prazo, especialmente se as condições climáticas permanecerem favoráveis até a colheita. Por outro lado, fatores como demanda internacional, câmbio e eventuais problemas climáticos ainda podem influenciar os preços nos próximos meses.
Para produtores, o momento exige atenção redobrada na gestão de custos e estratégias de comercialização. Já para o consumidor, a tendência pode significar um alívio gradual nos preços — embora esse repasse nem sempre seja imediato.