Farinheiras poderão fechar por falta de lenha para queimar nos fornos

Por: Uinderley Guimarães/SulbahiaNews
12/03/2011 - 07:50:48

Aqui vemos uma grande pilha de raizes de mandioca descarregada na frente da farinheiraO Ponto Maneca em Eunápolis tem hoje 21 farinheiras, a região é considerada a maior produtora de farinha do município, com produção de mais de 5.000 sacas de farinha por mês, gerando mais de 200 empregos diretos. O que faz circular na região cerca de R$ 300 mil por mês. Porém toda essa riqueza está comprometida por falta de madeira para ser queimadas nos fornos das casas de farinha.

Uma das principais farinheiras do Ponto Maneca pertence a família de Jossielo da Silva Paiva proprietário de um sítio com área de 35 hectares, das quais 15 são cultivados com mandioca, sendo o restante da área utilizada na criação de vacas  leiteiras, ele também arrenda outras 65 hectares que também são cultivados com mandioca. Em sua farinheira ele produz 300 sacos de farinha por semana, que são comercializadas em mais de dez cidades da região, Jossielo trabalha com toda a sua família e ainda gera 20 empregos diretos.

Falta de madeira

Nesta máquina é onde as raizes são lavada para serem raspadas ou descascadasSegundo Darlis Santos Paiva, filha de Jossielo, uma das maiores dificuldades para os produtores de farinha, é a falta de madeira para ser usada nos fornos de secagem das casas de farinha.

Darlis explica que não há reserva de matas nas propriedades, “a falta de lenha não é apenas em nossa farinheira, mas em todas do Ponto Maneca. Com a falta de lenha nas proximidades da farinheira, nos temos que ir longe para buscar madeira. Para isso tem que se utilizar muita mão de obra, além de tratores, e nem todos os produtores tem condições de bancar esses custos”, contou.

Outra elevação de custo provocada pela falta de madeira é o uso de eletricidade, para manter a temperatura das fornalhas, “não temos alternativa, gasta muita energia, porém, economiza madeira”, afirma.

O nossa colega João Pereira conversa com Jordênio (vice presidente da Associação do Ponto do Maneca) e Jossielo produtor de farinha Segundo afirmação do vice-presidente a Associação dos Produtores de Farinha do Ponto Maneca, Jordenio Alves Novais, a falta de madeira gerou uma preocupação muito grande, já que as farinheiras podem parar de produzir e consequentemente provocar uma instabilidade na renda familiar dos produtores, “se continuar desse modo, vamos chegar ao ponto de fechar as farinheiras, que são a principal fonte de renda das famílias aqui da região”, esclarece.

Ainda de acordo com Jordênio a Associação tem buscado soluções para o problema, e uma das saídas, seria a compra de madeira da Veracel Celulose, “hoje nós temos interesse de comprar madeira da Veracel para evitar que as casas de farinhas sejam fechadas”, disse Jordênio, salientando que já houve uma primeira reunião em torno desse assunto, com a CEPLAC, onde foi feito um relatório das dificuldades dos produtores.

Nesta máquina são raladas as reaizes de mandioca que vira a massa que em seguida é levada para a prensa“Depois de feito o relatório, foi pedido um projeto, que também já foi concluído e que ainda não foi enviado por conta do feriado de Carnaval, entregaremos o projeto na próxima reunião, inclusive há um interesse do Bando do Brasil de fazer presente nesta reunião, uma vez que é ele (o Banco do Brasil) que libera o recurso para o Ponto Maneca”, explicou Jordênio.

Outra dificuldade dos pequenos produtores apontada pelo vice-presidente da Associação é o calendário agrícola do Extremo Sul da Bahia, que é baseado no zoneamento agrícola do Ceará, “o problema é que o agente paga o Pronaf agora pra ter o reembolso só em novembro, temos que reunir com o Banco do Nordeste na tentativa de mudar o calendário, para que o crédito seja liberado de janeiro a dezembro”, disse.

Nesta imagem o funcionário nos mostra como é o processo de ensacamentoO Jordênio também falou sobre o fornecimento de gêneros hortifrutigranjeiros para a merenda escolar das redes municipais de ensino. Ele afirma que o fornecimento por parte do Ponto Maneca já foi acordado junto a prefeitura, e que faltam apenas alguns ajustes na documentação da Associação para que a prefeitura comece a comprar os produtos.

O fornecimento de produtos agrícolas na merenda escolar é uma medida determinada pela lei 11.947/2009. No mínimo 30% da merenda escolar deverá ser adquirida diretamente de agricultores familiares, sem licitação. Com a medida, cerca de R$ 600 milhões, por ano, reforçarão a agricultura familiar em todo o país.

“Iremos produzir vários produtos derivados da mandioca para serem incrementados no cardápio da merenda escolar, como, beiju, tapioca, goma, e outros. A compra destes produtos vai ajudar bastante na renda familiar dos pequenos produtores”, completou Jordênio.

Aqui vemos um dos fornos mecânicos em ação Mulheres raspadeiras de mandioca elas preparam as raizes para serem raladas O proprietário da farinheira Jossielo nos mostra a prensa onde é seca a massa
Funcionário durante o processo de arrancara a madioca na roça Vista da frente da casa de fatinha  

 

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