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Por: Bento Quinto
O Grito da Terra Bahia, que reuniu cerca de 4.500 pessoas em Salvador nos dias 26 e 27 deste mês de julho, expressou a ansiedade de elevado número de famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terras que, sob a Bandeira da FETAG-Ba, aguardam a conversão de acampamentos em assentamentos com distribuição de títulos de posse de terras, em praticamente todas as microrregiões da Bahia. Entre os presentes ao evento realizado no CAB-Centro Administrativo da Bahia, estavam representantes de sindicatos de trabalhadores rurais e de associações de agricultores familiares de todo o Estado, da FETAG-Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia, além de representantes do Governo do Estado.
O presidente da FETAG, Cláudio Bastos, disse em entrevista à Imprensa que “mais da metade dos 14 milhões e 200 brasileiros e brasileiras que vivem na miséria ou exclusão absoluta, mais da metade vivem nas regiões Norte e Nordeste, sendo que entre estas, o Estado da Bahia ostenta o maior número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza entre os estados”.
Já o sindicalista e delegado sindical da FETAG para o Extremo Sul bahiano, Wellington Santos, durante o Grito da Terra Bahia, em entrevista à mídia lamentou certos “entraves que retardam o andamento do processo de reforma agrária na Bahia segurando parte da solução para o combate à extrema pobreza e abastecimento do mercado de alimentos”.
O Governador Jaques Wagner, presente ao manifesto, discursou e concedeu entrevistas à Imprensa expressando a preocupação do seu Governo com a questão do assentamento de famílias de trabalhadores rurais sem terras, dentro do processo de Reforma Agrária.
Seja como for, percebe-se que a questão chega à maturidade obrigando as forças sociais, juntamente com o governo a sentarem para se criar um acordo que resolva definitivamente a necessidade social e econômica de um povo, que ainda convive com heranças de governos passados que sempre governaram para as elites e cujos perfis eram oligárquicos. A convicção de todos é: não dá mais para esperar, há espaço para todos e o mundo clama por alimentos.
Vamos produzir, é a palavra de ordem . A hipocrisia perde espaço para a realidade expressa pelo Grito da Terra Bahia. A ganância do grande Capital não é suficiente para impedir de se enxergar a carência de mais e mais alimentos para atender a demanda do mercado mundial e, o Agronegócio sozinho não têm a condição mínima de solucionar esse problema. A Agricultura Familiar é poderosa na hora de se botar comida na mesa das famílias brasileiras.