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Por: Marcos Adami / Do Bikemagazine
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Trechos de um livro estão gerando polêmica nos Estados Unidos. Escrito pelo jornalista Jim Gourley, triatleta e engenheiro, a publicação da editora VeloPress “Faster – Desmitificando a ciência da velocidade do triathlon” acende o debate sobre a eficiência das bicicletas superleves.
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“Não existe esse negócio de bike rápida. Bicicletas não são nem rápidas e nem lentas. Sem o ciclista, uma bicicleta é apenas uma bike ergométrica. As pernas do ciclista são o componente mais importante de qualquer bike. A importância de uma bike levíssima é superestimada” – essas frases estão no livro e mostram um pouco de como o autor vê a relação entre ciclistas e bicicletas.
No livro, o autor explica matematicamente porque um ou dois graus de inclinação no terreno já são suficientes para deixar a pedalada mais difícil e questiona se vale mesmo a pena investir uma fortuna em peças de carbono para eliminar peso.
Gourley não é nenhum leigo. Além de engenheiro astronáutico da Força Aérea Norte-Americana, é jornalista especializado em tecnologia de triathlon e ciclismo e escreve para as revistas Triathlete, Inside Triathlon, LAVA, USA Triathlon e 3/GO. Além da experiência acadêmica, já correu e terminou a RAAM e triathlons de longa distância.
Segundo o autor, a diferença de peso entre uma bike de entrada de alumínio com bons componentes para uma bike de carbono top de linha com componentes levíssimos e de última geração é de apenas 1,5kg, valor que faz pouca diferença na performance em subidas com menos de 10% de inclinação.
“A vantagem existe quando as subidas são longas e íngremes. Em trechos com poucas e curtas subidas vai manter essa diferença pequena”, conclui Gourley.
Para comprovar a teoria, Gourley fez vários experimentos com ciclistas que pedalaram subidas de uma milha de extensão (1.600m) com inclinação entre 1 e 7% com bikes de peso diferente. A potência foi monitorada e mantida em 200W e o tempo foi registrado. A bike mais pesada tinha 8,2kg e a mais leve 6,7kg. No resultado, a bike mais leve foi 7,5 segundos mais rápida no trecho. Para uma bike de 7,7kg no mesmo trecho, o ganho foi de apenas 2,5 segundos.
“É bom lembrar que atletas profissionais trabalham num outro ambiente e realidade, bem diferente da grande maioria dos ciclistas. Eles estão muito próximos um do outro em termos de condicionamento e eles estão muito próximos do melhor que um ser humano pode ser em termos de eficiência, força, performance e velocidade; por esse motivo não servem muito como referência para a maioria de nós”, explica.
Gourley ensina o método melhorar a performance nas subidas. “É muito melhor fazer upgrade nas pernas e reduzir a gordura corporal por meio de dieta e treino apropriado. Perder gordura terá impacto duplo na potência e velocidade. Conforme o peso do ciclista diminui, a potência para manter a mesma velocidade vai diminuir também e, com menos gordura, o ciclista vai conseguir gerar mais potência”, resume.