1º Encontro de bikers do Sul da Bahia - Arraial da Ajuda

Por: Da redação
09/07/2016 - 22:55:01

A POLIVALÊNCIA DE UM ENCONTRO MULTIFACETADO

Por: Luciano Meira

A composição do título acima estaria redundante se fosse meramente acidental, entretanto, foi a melhor forma que encontrei para definir o que aconteceu no último domingo, dia 03/07/16, no 1° ENCONTRO DE BIKERS DO SUL DA BAHIA que aconteceu em Arraial D’Ajuda, Porto Seguro.

Logo no início da manhã, fomos recepcionados por um tempo frio e chuvoso, e com uma faixa na entrada da Barraca Tri Boa, local de apoio do evento, que continha uma frase suficientemente capaz de disparar uma carga de adrenalina na nossa corrente sanguínea:

“AQUI O PEDAL É BRUTO!”.
Confesso que fiquei ruminando aquela perturbadora equação:
PEDAL BRUTO = CHUVA³ + FRIO³ + VENTO² X TRILHA(LADEIRA+LAMA+RAÍZES+PEDRAS)...
Imediatamente voltei à órbita quando alguém falou: “Luciano, Cláudio chegou.”
Fui em direção ao carro do Cláudio para pegar minha bike. Percebi que não demorou muito para que uma multidão de ciclistas e bikes tomassem o protagonismo daquele lugar paradisíaco, tornando-se num ambiente que exalava o bom aroma do ciclismo, propiciando o reencontro de velhos amigos e o surgimento de novos elos de amizades oportunizados pelo pedal.


Com uma organização fora do comum, não demorou muito para que tudo estivesse pronto para a realização daquele sonho, inclusive com uma ajudinha dos céus com uma rápida trégua da chuva, mantendo apenas um leve chuvisco.

Na largada, começamos logo de cara com um aquecimento já na subida da ladeira do Mucugê, em meio à uma multidão de ciclistas que procuravam ocupar seus espaços de forma segura e ordenada, mas que para alguns iniciantes do pedal, principalmente aqueles que estavam pedalando clipados pela primeira vez, um verdadeiro e imperdoável desafio.
Aquela movimentação de centenas de ciclistas chamou a atenção dos comerciantes e moradores locais, pois havia uma diversidade de cores nas roupas chamativas e nos desenhos ergonômicos de cada bike, fazendo com que alguns tomassem posse de seus celulares para registrarem aquele acontecimento.


Não demorou muito para que uma chuva torrencial surgisse repentinamente, servindo inclusive de mecanismo de teste para certificar aqueles que realmente estavam dispostos à encarar uma jornada de trilha nos quase 40km de percurso que nos aguardava. Alguns pararam apenas para proteger seus pertences da chuva, mas felizmente ninguém desistiu. Todos estavam ali por um propósito comum e, diga-se de passagem, com suas pretensões muito bem alinhadas e estabelecidas, chancelando assim o passaporte de cada um para aquela viagem ao mundo pedalístico.

Contrariando o frenesi da vida urbana que nos tornam suburbanos existenciais através de falsos comportamentos cosmopolitas, que na verdade nos aprisionam à uma dimensão comportamental provinciana, cada giro no pedivela dentro da Mata Atlântica nos facultava a possibilidade de um contato direto com a natureza, vivenciando cada momento de forma muito intensa, nos libertando das castas das convenções humanas do capitalismo e rompendo os limites do nosso interior, propiciando um reencontro com nossa verdadeira essência, através da contemplação de algo tão maravilhoso provindo das mãos do Criador, como um simples orvalho nas folhas, na pujança de grandes e imponentes árvores com suas copas que desapareciam em meio à densa floresta, na vegetação rasteira que de forma úmida e densa protegia o solo.

Inevitável foi tentar conter as lágrimas pela emoção de vivenciar aquela experiência sui generis, pois dentro daquele lugar nativo somos constrangidos pelo equilíbrio mútuo entre os elementos que o compõem.

Não sentimos o desgaste físico, pois nosso organismo era muito bem suplementado com aquele ar puro que tanto fazia bem aos nossos pulmões, e o silêncio daquele encantador lugar era quebrado por vários timbres de vozes que ecoavam na mata fechada, pelo som dos motores das motos de apoio e pelo ranger dos kits tomados por areia e lama.

A chuva torrencial era tamanha que constantemente tinha impressão de ter algo caminhando nas laterais internas do bretele, devido ao grande volume de água acumulada na roupa.
Em meio aos mergulhos das bikes em cada poça de água, sentíamos como crianças que brincavam sem medo de represálias, sendo observados apenas pelo “olhar” acolhedor da mãe natureza que nos envolvia tão bem em seus braços.

Troncos de árvores, ladeiras íngremes e escorregadias, valetas e passagens sobre pequenos riachos eram revelados à medida que avançávamos cada curva, oportunizando momentos subsequentes de superação individual, como também no apoio mútuo entre ciclistas.
Embora o tempo não estivesse tão favorável, muitos celulares saíram dos invólucros calabouços plásticos que os resguardavam da água e entraram em ação, “tomando nota” de cada acontecimento a fim de gerar um registro valoroso para uma posteridade de novos amantes do ciclismo e da natureza.

Ao chegarmos à fazenda que serviu de ponto de apoio, recebemos uma assistência total, com frutas, água, gelo, energéticos e uma recepção de tirar o chapéu por parte dos proprietários e dos organizadores do evento. Em meio às revisões mecânicas nas bikes, brincadeiras, resenhas e compartilhamento de experiências, aproveitamos para documentar tudo num registro fotográfico.

Não demorou muito e já seguimos à diante para novos desafios, testando nossas habilidades e resistências em alguns single track´s, onde nosso suor e a água da chuva se misturavam naquele esforço tamanho, e ao vencê-los, fomos presenteados com uma visão fantástica do mar atlântico observado de cima de uma das falésias da nossa Costa do Descobrimento.
Com as forças se esvaindo, chegamos ao final do percurso com uma sensação de vitória e de realização pessoal.

Pra fechar com chave de ouro, uma confraternização com todos os ciclistas e familiares que estavam presentes, ao som da discoteca itinerante Yellow Pity´s Car Dance e um churrasco que não teve quem desse "venção" naquela fartura alimentar.

Foi um encontro de/com ciclistas, de/com amigos, de/com os desafios, com a natureza e com Deus...
Que pedal!!!!!!!!!!!

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