Pedalando para a inclusão

Por: Agora o Jornal do Sul
11/08/2016 - 18:59:53

Por: Meilene Fontes

Um projeto inovador na cidade vai contemplar pessoas com deficiência visual. Tendo como foco os alunos da Escola de Educação Especial José Álvares de Azevedo, o “DV no Pedal” surge como uma nova ferramenta de inclusão social e incentivo à prática esportiva. Na tarde de ontem (10), na sede da escola, a proposta foi oficialmente apresentada, marcando também a aula inaugural.

Antes mesmo de subirem pela primeira vez na bicicleta, alguns alunos não escondiam a expectativa da nova experiência. Foi o caso de Fernando Jacinto Netto, 18 anos: “ Estou com um pouquinho de medo, porque desta vez vai ser bem diferente. Já andei acompanhado por meus pais e também em bicicleta ergométrica. Sei que agora vou precisar ter mais equilíbrio e pedalar junto ”, contou.

Já Keisy Gomes Barbosa da Silva relatou estar tranquila, mas bastante ansiosa para subir na bike: “ Estou esperando o momento em que vou subir, nunca andei”, disse a jovem de 15 anos.

Para o professor de educação física da escola, Felipe Motta, o projeto chega para ampliar ainda mais as atividades desenvolvidas na instituição, possibilitando aos alunos novas vivências:

“Aqui já desenvolvemos orientação e mobilidade, fisioterapia, golbol e atletismos. Contudo, o que o DV no Pedal vai propiciar aos nossos alunos serão experiências únicas. Nossa ideia não é apenas disponibilizar as bicicletas nas aulas, mas também deixá-las ao dispor deles e de suas famílias”, antecipou.

Parceiros

Os alunos serão beneficiados através de uma parceria com o Pedal Corta Vento, grupo formado há pouco mais de um ano que mobiliza ciclistas da cidade e também do Cassino. Com passeios que inicialmente devem acontecer nas quartas-feiras, voluntários servirão como orientadores para os novos praticantes. Além da prática esportiva, a intenção é fazer com que os portadores de necessidades especiais possam sentir ainda mais a interatividade com o meio, ou seja, os condutores também terão papel de guias turísticos, descrevendo as características de cada local por onde passarem.

Com recursos limitados, a aquisição das bicicletas Tanden, popularmente conhecidas como bicicletas de dois lugares, foi viabilizada através de doações. A primeira mobilização aconteceu em junho deste ano, quando o paratleta, Vladmi dos Santos, encarou o desafio de pedalar 12 horas, chamando a atenção. Foi então que mais pessoas decidiram abraçar a causa dos deficientes visuais e também deram suas contribuições. Integrantes do Pedal Corta Vento também foram fundamentais para a concretização do projeto.

Hoje, com cinco bicicletas, entre novas e usadas, a direção da José Álvares de Azevedo espera receber outras quatro. O número, segundo Motta, é considerado bom para atender aos alunos que buscam melhor qualidade de vida mesmo com a deficiência.

Matando a saudade

Ao final da primeira aula, um dos mais empolgados foi Carlos Fonseca, 63. Após perder a visão em 2005, ele aproveitou a oportunidade para voltar a praticar aquele que era um de seus principais hábitos: “ Sensacional. Sempre gostei do ciclismo, pedalava muito. Agora em razão da limitação, vejo aqui a possibilidade de voltar a praticar esporte e ao mesmo tempo matar a saudade de algo que eu gosto tanto”, finalizou.

 

 

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