Jornalismo do interior; é preciso ter respeito

Por: Gil Rocha/FarolNews
01/02/2018 - 19:29:55

  Por: Gil Rocha
  FarolNews

O jornalismo no interior, diferente do jornalismo dos grandes centros, guarda algumas particularidades, influenciadas, principalmente, por uma dinâmica específica e a proximidade entre moradores e os profissionais da comunicação.

Assim, ao escrever sobre qualquer que seja o tema, o jornalista; formado ou não, ao contrário do profissional da capital, conhece “algo a mais” sobre as pessoas que descreve. E, esse “algo a mais” refere-se à personalidade dos moradores da cidade, seus casos de família, os aspectos polêmicos e banais que constituem a história particular de cada um, sua rotina na cidade, as roupas que costuma usar etc.

O comunicador interiorano tem uma informação em que a compreensão se difere dos grandes centros urbanos. No entanto, ainda não há uma teoria específica para analisar a diferença do jornalismo que se desenvolve fora dos grandes centros.

Diante disso, necessário se faz fomentar o debate acerca da pragmática do jornalismo no interior, impregnada da cultura e costumes locais, que a particularizam, que a tornam singular. E assim, também, levar em consideração muitas delas, contrastantes.

Os critérios que caracterizam e definem a imprensa interiorana, bem como, os valores-notícia são muito diferentes da grande mídia. Para muitos jornalistas formados nas mais de quinhentas e trinta instituições de ensino superior existentes no Brasil, a imprensa no interior ainda é visto, muitas vezes, com preconceito; como uma espécie de coadjuvante no cenário da comunicação. A verdade é que, para muitos, ainda permanecem os estigmas de ‘artesanal’ e “dependente do faturamento das prefeituras”. Para esses detentores do ‘maior saber’, estes dois fatores têm provocado um efeito nefasto sobre o papel de fiscalizador da coisa pública, que deveria ser exercido por estes periódicos regionais.

Porém, a imprensa como um todo, seja no interior ou nos grandes centros, têm o mesmo papel de fiscalizador da coisa pública, observando a proporcionalidade. Assim sendo, mesmo a imprensa interiorana, sendo banalmente considerada artesanal ou dependente de prefeituras, pode, sim e deve exercer esse importante papel.

Conquanto, é preciso observar, e não se pode negar, que a manutenção das maiores empresas detentoras dos mais poderosos veículos de comunicação por todo o país, advém, em parte; e grande parte, dos recursos públicos; chamadas publicidades institucionais. A cada campanha publicitária de uma instituição pública federal, são gastos milhões de reais; dinheiro oriundo dos cofres públicos.

Daí se pergunta: Isso impede a grande mídia de exercer o papel de fiscalizador da coisa pública? Claro que não! A grande mídia mostra as mazelas do poder público, divulga em seus telejornais, em páginas e em programas de rádios todo o ‘inferno’ promovido pelos governantes. Mas a publicidade das instituições públicas, especialmente as rentáveis como as financeiras, lá permanecem estampadas. Nas cidades pequenas a situação é diferente também nesse contexto. É trivial a parceria entre poder público e veículos de imprensa, porém, vale ressaltar que, em cidades de pequeno porte, as coisas funcionam diferentes, onde o amor e o ódio caminham lado a lado, depende da circunstância.

Puxasaquismo, bajulação e apadrinhamento são palavras corriqueiras nesse universo… Mas, essa parte falarei mais adiante.

PUBLICIDADE

Últimas Notícias



PUBLICIDADE

Copyright © 2003 / 2026 - Todos os direitos reservados
NossaCara.com é propriedade da empresa Nossa Cara Ponto Comunicações e Serviços Ltda.
CNPJ: 07.260.541/0001-06 - Fone: (73) 98866-5262 WhatsApp