“Todos os dias que eu lembro dele eu choro”, diz mãe de vaqueiro que morreu em esgoto aberto pela prefeitura de Itanhém

Por: Água Preta News
02/04/2018 - 00:04:04

Por: Edelvânio Pinheiro

O repórter Edelvácio Pinheiro, do Água Preta News, foi a Ibirajá, município de Itanhém, na manhã desta segunda-feira (2), saber como estão os familiares do vaqueiro, que no dia 9 de outubro do ano passado, morreu depois de cair com um cavalo em um canal de esgoto, aberto pela prefeitura.

Jorge Martins Araújo, de 37 anos, quando retornava pra roça, tinha o hábito de passar a cavalo pela Rua São Francisco, onde, na ocasião, havia duas semanas que a prefeitura havia aberto um grande canal de esgoto. Sem sinalização e com o local totalmente às escuras, o vaqueiro tentou passar por uma pequena passagem improvisada de madeira, mas acabou caindo e, muito provavelmente, bateu com a cabeça numa manilha que estava dentro do buraco e morreu.

A mãe da vítima, Delfina Maria de Jesus, quase septuagenária, que vive de uma pequena pensão que recebe do marido, contou ao nosso repórter os momentos de angústia e solidão que vive em razão da ausência do filho.

“Meu filho está fazendo muita falta, ele sempre me ajudava. Era ele que cuidava de uma terrinha da gente. Era ele também que cuidava do irmão dele, que é deficiente. ‘Tá’ lá na roça [o filho deficiente] jogado. Até a comida o irmão fazia. Agora, caminho mais de uma légua pra ir lá cuidar dele. Fica lá jogado. Depois que o irmão morreu ele não quis vim mais pra cá, eu acho que ele sentiu a morte do irmão”, contou dona Delfina, com a tristeza só vista nos olhos de uma mãe. “Todos os dias e todos os momento que eu lembro dele eu choro!”, exclamou.

Desde que o filho dela morreu no esgoto aberto pela prefeitura, dona Delfina não passa mais no local.

“Ali tem toda a lembrança dele, de ver ele de 7h [da noite] morto lá, jogado no chão, até uma hora da manhã [quando o IML de Teixeira de Freitas chegou]. Pra mim. aquilo ali… eu não passo naquela rua não, não tenho natureza de passar ali mais”, disse, com ar de tristeza e abaixando a cabeça para o repórter.

Cinco meses depois o canal continua aberto e sem nenhuma sinalização. O secretário de Infraestrutura do município, o fazendeiro Newton Pinheiro – que é irmão da prefeita Zulma Pinheiro – e nenhum preposto da prefeitura, de acordo com dona Delfina, procuraram a família se quer para desejar condolências.

“E ‘tá’ aí até hoje sem resolver nada. Ninguém procurou fazer nada por mim. Pessoas disseram que eu tenho todo direito, mas a pessoa sozinha não tem como agir. É difícil encontrar com ela [a prefeita]. Aqui [em casa] ela nunca veio. Eles não estão nem aí com ninguém. Porque aqui em casa ela nunca veio passar saber de nada. Quem me ajudou aqui foi Joaquim, que levou meu filho e foi buscar [no IML]. Eu devo obrigação a Joaquim, mais ninguém”, enfatizou.

Dona Delfina se mostrou disposta a acionar o município na Justiça, mas parece lhe faltar instrução.

“Se for pra gente entrar a gente entra, porque quem perde seu filho é que sabe a dor que passa”, lamentou. “Aceito sim [ser assistida por um advogado]. Eu não tenho condições de gastar, ‘né’. Eu fico pensando de procurar”, explicou.

Para Dona Delfina o que ocorreu com o filho dela não foi uma fatalidade.

“Isso aí foi injustiça, uma falta de cuidado deles [da administração municipal]. Até as tabas velhas que eles colocaram lá, que o menino jogou o cavalo em cima, pensado que fosse uma coisa firme, a taba quebrou e ele desceu com cavalo e tudo”, finalizou.

O vaqueiro não deixou mulher nem filho.

 

 

 

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