Operación Pandora-Estudo da hipótese de invasão venezuelana ao território brasileiro

Por: Redação Forças de Defesa
11/12/2023 - 01:20:48

Da: Redação Forças de Defesa

Por Raphael Ferreira e Silva
Major do Quadro de Material Bélico, Pós-Graduação em Ciências Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais em 2015; Especialização em Gestão e Assessoramento de Estado-Maior pela Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército em 2023

1 – INTRODUÇÃO

Este estudo se concentrará primordialmente na análise de uma possível linha de ação que permitiria que o Estado Venezuelano realizasse uma incursão terrestre no território do ESSEQUIBO-GUIANA, utilizando para isso o território brasileiro.

Neste cenário, consideraremos o “status quo” do dia 07 de dezembro de 2023, serão abordados obstáculos e capacidades apresentadas pelos Exércitos e Forças Aéreas do Brasil e da Venezuela e como isto pode ser relacionado a alguns aspectos inerentes ao problema.

A VENEZUELA e o BRASIL possuem fortes laços, principalmente derivados do alinhamento ideológico dos presidentes de ambos os países. Nicolás Maduro, presidente da Venezuela e Lula, presidente do Brasil, ambos apresentando interesses e objetivos comuns.

FIGURA 1 – FRONTEIRA VENEZUELA/GUIANA

Porém, a recente intenção venezuelana de expandir seu território gerou uma divergência aos interesses regionais do BRASIL, estabilidade regional. Desta forma, o presidente brasileiro declarou que não apoiará uma operação militar venezuelana contra o país soberano da GUIANA.

As características da fronteira entre GUIANA e VENEZUELA dificultam a ação militar direta por essa fronteira, devido à inexistência de vias que interligam os dois países (FIGURA 1). Sendo assim, as duas prováveis ações que a VENEZUELA poderá tomar para conquistar o território do ESSEQUIBO seriam uma ação por mar ou uma ação por terra.

A ação por mar depende unicamente da capacidade da Marinha venezuelana de atacar e apoiar uma incursão, o que pode ser dificultado, uma vez que os Estados Unidos se demonstraram contrários a qualquer intervenção venezuelana. Os EUA possuem capacidades de realizar uma interdição e bloqueio marítimo que garanta a segurança da costa guianesa.

Por outro lado, a incursão por terra teria que ser realizada por território brasileiro, passando em PACARAIMA e consolidando as localidades de UIRAMUTÃ, NORMANDIA e BONFIM, criando assim uma penetrante segura dentro do território guianense.

Existe ainda a possibilidade de incursão pelo rio MAZARUNI (FIGURA 2), porém, por ser uma via facilmente defendida por meio de emboscadas no percurso do rio é o menos provável de ser adotado como esforço principal de um possível ataque.

FIGURA 2 – RIOS DA REGIÃO DE ESSEQUIBO

2 – ANTECEDENTES

 VENEZUELA e GUIANA possuem uma disputa territorial complexa e de longa data que recentemente ganhou novos contornos. A área em disputa é uma região de 160 mil quilômetros quadrados localizada a oeste do Rio ESSEQUIBO (FIGURA 3), que hoje responde por cerca de 75% dos 215 mil km2 do território da Guiana. Esta área, rica em minérios e pedras preciosas, está sob controle da Guiana desde que o país se tornou independente, em 1966.

A VENEZUELA, por sua vez, afirma que o território pertence a ela, já que era parte do Império espanhol, havia a presença de religiosos espanhóis na área e, segundo ela, os holandeses nunca ocuparam a região à oeste do rio ESSEQUIBO. A reivindicação existe mesmo antes de o país se tornar independente, ou seja, quando ainda era parte da Grã-Colômbia.

FIGURA 3 – REGIÃO DE ESSEQUIBO

Recentemente, a tensão aumentou devido à descoberta de enormes reservas de petróleo na costa guianesa, que já vem sendo exploradas pela GUIANA em parceria com companhias como a norte-americana ExxonMobil e a chinesa CNOOC. A VENEZUELA convocou um referendo para 3 de dezembro, no qual os venezuelanos foram perguntados se apoiam a criação de uma nova província chamada “Guayana Esequiba” em um território de 160 mil km² onde há vastos recursos naturais.

Este referendo acirrou a tensão na América do Sul e levou o BRASIL a aumentar a presença militar na fronteira norte do país. A situação permanece incerta e a resolução desta disputa territorial continua sendo um desafio significativo para a região.

3 – FORÇAS ARMADAS ENVOLVIDAS

3.1 Forças Armadas Venezuelanas

As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, que são as Forças Armadas do Estado Venezuelano, contam com 123 mil homens na ativa, 63 mil deles no Exército, 25,5 mil na Marinha, 11,5 mil na Força Aérea e 23 mil na Guarda Nacional. Isso faz da VENEZUELA o terceiro maior contingente da América Latina, atrás do BRASIL e da COLÔMBIA. Deve-se considerar também os 220 mil integrantes das milícias paramilitares, que são armadas e ideologicamente próximas do regime.

A principal força de Maduro é a defesa aérea, com sistemas russos avançados de longo e médio alcance. Durante o governo de Hugo Chávez (1998-2013), o país tornou-se comprador de vários armamentos russos, como o caça mais poderoso da região, o Sukhoi-30. Há 23 unidades do modelo à disposição e estima-se que pelo menos 50% estejam em condições de pronta operação. Ao todo, a VENEZUELA possui 279 aviões de combate, a 39ª frota do mundo.

Segundo informações de inteligência as Forças Armadas Venezuelanas estão enfrentando um completo colapso em termos de capacidades operacionais, com baixos níveis de treinamento, poucas peças de reposição, equipamentos obsoletos e falta de combustível, apesar das vastas fontes de petróleo do país.

Em termos de equipamentos terrestres, estima-se que a VENEZUELA conte com 282 tanques, 300 veículos de combate blindados e 52 lançadores de mísseis organizados em 16 Unidades Operativas (FIGURA 4).

FIGURA 4 – UNIDADES OPERATIVAS TERRESTRES VENEZUELANAS

3.2 Forças Armadas Brasileiras

As Forças Armadas do BRASIL são constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Força Aérea Brasileira. Elas são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos Poderes Constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. As Forças Armadas estão subordinadas ao governo federal através do Ministério da Defesa.

As Forças Armadas do BRASIL contam com um efetivo ativo de 360.000 militares (2023) e um pessoal na reserva de 1.340.000 (2023).

A Marinha do BRASIL ocupa a 25ª posição no ranking geral em 2023. Ela conta com uma frota de 46 unidades ativas, incluindo um porta-helicópteros, três submarinos, seis fragatas, duas corvetas, 22 navios de patrulha e três navios de assalto anfíbio. Além disso, a Marinha está em processo de modernização através de programas estratégicos, como o Programa de Submarinos (PROSUB) e o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT).

O Exército Brasileiro é composto por uma variedade de equipamentos militares para cumprir suas funções. Possui 296 tanques, incluindo modelos como o Leopard 1A1 e o Leopard 1A5. Há 1.958 veículos blindados em operação, incluindo o VBTP-MR Guarani, com 600 unidades em operação e 1.500 unidades previstas até 2031. O exército também tem 136 veículos de artilharia autopropulsados e 536 itens de artilharia rebocáveis. Além disso, possui 83 veículos Astros, 44 com lançadores de foguetes. O Exército Brasileiro está em constante processo de modernização e expansão de suas capacidades operacionais, com diversos programas estratégicos em andamento.

A Força Aérea Brasileira (FAB) é o ramo aeroespacial das Forças Armadas do BRASIL, sendo uma das três forças que compõem a defesa externa do país. A FAB tem um efetivo ativo de 80.937 militares e opera cerca de 715 aeronaves, tornando-se a maior força aérea do hemisfério sul e a segunda na América, após a Força Aérea dos Estados Unidos. A FAB está capacitada para atuar tanto na vigilância, quanto no controle e na defesa do espaço aéreo, dispondo de modernos recursos para detecção, interceptação e eliminação de equipamentos aéreos, terrestres e aquáticos. Além disso, a FAB está em processo de modernização com a aquisição de modernos caças Gripen-NG, fabricados pela empresa sueca SAAB.

4 – OPERACIÓN PANDORA (HIPÓTESE)

 Consideraremos que após o resultado do plebiscito realizado no dia 3 de dezembro o Gabinete Presidencial da VENEZUELA resolvesse ativar o Teatro de Operação BOLIVAR (TO BOLIVAR) que compreenderia a fronteira terrestre com os países BRASIL, GUIANA e Litoral Oriental e na sequência desencadear a OPERACIÓN PANDORA.

FIGURA 5 – Teatro de Operações BOLIVAR

O desencadeamento da Operação deve ser rápido e sigiloso até o seu início, evitando a concentração de meios estratégicos brasileiros na Região, uma vez que as forças brasileiras em BOA VISTA – RR são compostas somente por:

  • 1 Grupo de Artilharia de Campanha;
  • 1 Esquadrão de Cavalaria Mecanizado;
  • 1 Batalhão Logístico;
  • 1 Batalhão de Engenharia; e
  • 1 Batalhão de Infantaria de Selva com 6 Pelotões Especiais de Fronteira (FIGURA 6).

FIGURA 6 – PELOTÕES ESPECIAIS DE FRONTEIRA

Cabe ressaltar que o início das operações ocasionaria uma cisão direta entre o alinhamento dos presidentes de ambos os países bem como as relações bilaterais.

Esta operação (Op) consistiria em um ataque para conquistar a região Nordeste do estado brasileiro de RORAIMA (RR) tendo como objetivos UIRAMUTÃ, NORMANDIA e BONFIM, a fim de permitir o acesso de tropas e o fluxo logístico contínuo para região guianense de ESSEQUIBO.

FIGURA 7 – REGIÃO NE DE RORAIMA

Seria considerado como Linha de Partida para as tropas venezuelanas a fronteira BRASIL-VENEZUELA na altura da cidade de PACARAIMA. Paralelamente a esse esforço principal, seriam executadas ações de menor vulto com infiltração pelo rio MAZARUNI e demonstrações de força na costa venezuelana.

Há de se considerar que conforme prevê a doutrina de emprego de tropas de Operações Especiais, elas já estariam desdobradas no terreno, tanto brasileiras quanto venezuelanas, em ambos os territórios.

A Força Aérea Venezuelana (FAV) opera uma variedade de aeronaves, incluindo o Su-30, o F-16, o Mil Mi-26, o K-8, o EMB-312 Tucano fabricado pela Embraer e o helicóptero Mi-353.

4.1 1ª Fase – Domínio aéreo

A FAV também possui sistemas de defesa aérea S-300VM, Buk-M2 e o Pechora-2M de médio alcance, o que garante uma boa segurança relativa à ataques dos meios atuais da Força Aérea Brasileira (FAB).

A FAB possui atualmente 6 aeronaves Gripen F-39E operacionais, esse projeto é capacitado para um amplo espectro de missões, dentre as quais se destaca a tarefa específica de combater (e superar) aviões de guerra de fabricação russa, similares aos modelos utilizados pela FAV.

A eficácia de uma força aérea não depende apenas do número e do tipo de aeronaves ou armamentos que possui, mas também de fatores como treinamento, doutrina, logística e capacidade de comando e controle, porém neste cenário é muito provável que os meios venezuelanos causem a interdição do espaço aéreo por longos períodos, reduzindo a liberdade de ações das Forças Armadas Brasileiras.

Reforços brasileiros, por via aérea chegando em BOA VISTA – RR, seriam afetados, uma vez que os Su-30 e o F-16 venezuelano, se realmente possuírem quantidades operacionais adequados, têm capacidade de identificar e abater possíveis ameaças do vetor aéreo brasileiro.

4.2 2ª Fase Interdições de vias de acesso

A linha de ação mais agressiva contemplaria a destruição por bombardeio de acessos, impedindo reforços de chegar à cidade de BOA VISTA – RR ou ao Teatro de Operações BOLIVAR.

Para dificultar a chegada de suprimentos e tropas na cidade de BOA VISTA, se faria necessária a destruição das seguintes pontes:

 

 

 

 

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