O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que as temperaturas podem ficar até 5°C acima da média, aumentando os riscos à saúde e ao meio ambiente
Por: Bruno Teles
O Inmet publicou alerta vermelho para onda de calor que atingirá quatro estados do Sul e Centro-Oeste entre 19 e 25 de abril, com temperatura até 5°C acima do esperado, e projeções do Meteored indicam que o calor pode se intensificar na virada para maio antes de enfraquecer até o dia 25.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) classificou como alerta vermelho o aviso para uma onda de calor que pode se estender por sete dias consecutivos sobre quatro estados brasileiros. O comunicado, publicado no domingo (19) com vigência até sábado (25), coloca moradores do Sul e do Centro-Oeste sob risco sanitário em razão de temperatura prevista para superar a média histórica em até 5°C ao longo de toda a semana. A abrangência do alerta inclui diversas mesorregiões do Paraná, o Noroeste gaúcho, o Oeste catarinense e quatro zonas do Mato Grosso do Sul, configurando um evento de escala regional que afeta simultaneamente duas macrorregiões do país.
A onda de calor ocorre numa época em que o outono deveria estar reduzindo gradualmente a temperatura nessas áreas. Dados do Meteored apontam que o fenômeno tende a se intensificar no intervalo entre o final de abril e os primeiros dias de maio, atingindo um pico antes de perder força progressivamente. Mesmo com a redução esperada, o calor fora do padrão pode seguir influenciando o clima regional até a última semana de maio, prolongando uma anomalia que preocupa tanto meteorologistas quanto autoridades de saúde pública.
Quais áreas estão sob alerta vermelho do Inmet por causa da onda de calor
O comunicado do Inmet detalha as mesorregiões específicas cobertas pelo alerta vermelho. No Paraná, as zonas atingidas pela onda de calor abrangem o Centro Ocidental, Noroeste, Sudoeste, Oeste, Sudeste, Centro-Sul e Norte Central, cobrindo uma faixa expressiva do estado. No Rio Grande do Sul, o foco recai sobre a porção Noroeste, e em Santa Catarina a região de maior risco é o Oeste.
O Mato Grosso do Sul tem quatro mesorregiões sob alerta vermelho: Sudoeste, Pantanais, Leste e Centro Norte. A inclusão do Pantanal na lista gera preocupação adicional, já que a onda de calor em ambiente pantaneiro potencializa o risco de queimadas e agrava a escassez hídrica num bioma que vem sofrendo com secas cada vez mais frequentes. A extensão geográfica do aviso demonstra que não se trata de calor localizado, mas de um evento climático amplo com potencial para afetar milhões de pessoas em dois quadrantes do território nacional.
Por que a onda de calor no outono representa perigo real
A temperatura 5°C acima da média por sete dias não é apenas desconforto: é uma condição que coloca o organismo sob estresse térmico contínuo. Durante a noite, quando a temperatura deveria cair e permitir recuperação fisiológica, a onda de calor mantém o termômetro elevado, impedindo que idosos, crianças e portadores de doenças crônicas tenham o alívio necessário. O Inmet classificou o alerta como vermelho porque a combinação de intensidade e duração ultrapassa o limiar a partir do qual danos à saúde se tornam prováveis, e não apenas possíveis.
A diferença entre alerta vermelho e alerta laranja está justamente na persistência do fenômeno. Uma onda de calor que dura dois ou três dias gera desconforto; uma que se prolonga por uma semana inteira, com temperatura acima do padrão tanto de dia quanto de noite, pode provocar internações por desidratação, exaustão térmica e crises cardiovasculares. As prefeituras dos municípios atingidos devem ativar planos de contingência, e a população precisa adotar medidas imediatas de proteção.
Recomendações de proteção durante a onda de calor
As orientações para enfrentar a onda de calor são objetivas. Ingerir água com frequência ao longo das horas de vigília, mesmo na ausência de sede, é a medida mais crítica, seguida pela restrição de exposição solar no intervalo entre 10h e 16h. Frutas com alto teor de água, como melancia, melão e abacaxi, ajudam a repor líquidos e minerais perdidos pela transpiração excessiva durante os dias em que a temperatura se mantiver acima do normal.
Vestir roupas claras e de tecido leve contribui para a regulação térmica do corpo. Ambientes internos devem permanecer ventilados, e exercícios ao ar livre precisam ser evitados nos horários de pico da onda de calor. O Inmet recomenda atenção aos sinais que o organismo emite: tontura, confusão mental, pele seca e avermelhada, náusea e aceleração cardíaca são indicadores de emergência médica que exigem atendimento imediato. O alerta vermelho não é apenas uma classificação meteorológica: é um chamado para que a população modifique sua rotina enquanto a onda de calor persistir.
O que a onda de calor de abril indica sobre o clima brasileiro em 2026
O Inmet projeta que a temperatura deve continuar acima do padrão inclusive durante o inverno de 2026, que começará no dia 21 de junho e seguirá até 22 de setembro. A expectativa é de frio menos rigoroso em comparação com anos anteriores, o que aponta para um padrão de aquecimento que se manifesta com ondas de calor mais frequentes, mais longas e mais intensas. Para o Sul e o Centro-Oeste, a situação atual pode ser apenas o primeiro episódio de uma sequência ao longo do ano.
A combinação de outono quente, inverno ameno e primavera potencialmente antecipada altera o calendário climático dessas regiões. O setor agrícola, que depende de ciclos térmicos previsíveis para planejar safras, e a saúde pública, que precisa de intervalos de alívio entre episódios extremos, são os dois campos mais vulneráveis a uma onda de calor que se recusa a obedecer ao calendário das estações. O alerta vermelho do Inmet é, antes de tudo, um indicador de que o padrão climático conhecido está mudando de forma acelerada, e de que a adaptação não é mais uma opção, mas uma necessidade.
E você, está sentindo os efeitos dessa onda de calor no seu estado? Acha que o Brasil está preparado para enfrentar episódios cada vez mais frequentes de calor extremo? Deixe sua opinião nos comentários.
