
Muitos questionamentos e desconfiança marcaram a apresentação da proposta da empresa Renova Energia nesta sexta-feira (15). O encontro aconteceu na Câmara de Vereadores de Eunápolis, com o objetivo de apresentar a proposta de construção de uma hidrelétrica no município, utilizando a água do rio Buranhém, popularmente conhecido como Rio do Peixe.
Ainda sem um projeto fechado, a empresa só
adiantou algumas informações. A intenção é que a estrutura tenha uma potência de 9 MW e seja implantada a cerca de 6 quilômetros da sede urbana de Eunápolis. A Renova Energia espera gerar 250 empregos e realocar 20 famílias que atualmente residem na possível área do projeto.
Empregos e meio ambiente
Durante a apresentação, realizada por dois
representantes da empresa, os presentes questionaram os possíveis impactos que a hidrelétrica pode gerar na cidade, tanto os negativos como os positivos. Uma das dúvidas é sobre quem irá ocupar os empregos estimados. A comunidade receia que profissionais de outros locais sejam os grandes beneficiados.
Outro ponto de atrito é a questão ambiental. "É viável um projeto num rio que está perdendo a vazão há mais de 20 anos?", questiona o ambientalista Melquiades Spinola ao se referir à situação crítica do Buranhém. O rio vem sofrendo com a retirada da mata ciliar e o assoreamento, fatores que podem comprometer o abastecimento de água de Eunápolis, segundo o ambientalista.
Na apresentação foi exibido um vídeo sobre o empreendimento, elaborado pela
Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A iniciativa foi criticada por Melquiades, que ocupa a secretaria do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condau). Ele informou que, apesar do Condau constar nos créditos do vídeo, o mesmo não foi informado sobre a existência desse projeto e nem convidado para a reunião. "Isso desagradou demais", detalha.
Já Josemar Siquara, secretário de Meio Ambiente, explicou que a conversação com a empresa Renova havia sido iniciada, com a realização de debates entre a empresa e a Prefeitura. Segundo Josemar a idéia era abrir o debate com a comunidade, por isso a reunião. Mesmo assim, independente do resultado desse primeiro encontro, a Prefeitura irá conceder uma carta de anuência à empresa, documento necessário para o prosseguimento dos estudos a serem encaminhados aos órgãos que fazem o licenciamento ambiental.
Já a responsável regional do IBAMA, Cleide Guirro, encara com preocupação as próximas etapas do empreendimento. Segundo ela a resolução nº 01 de 1986 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) não prevê realização de audiência pública para hidrelétricas com potência inferior a 10 MW, já que, nesse caso a elaboração de Estudos de Impactos Ambientais e Relatórios de Impactos Ambientais (Eia-Rima) também são dispensados.
Matérias NC
Fotos: Urbino Brito