Construção de hidrelétrica causa polêmica

Por: NossaCara.com
08/01/2009 - 00:36:47

Por: Mário Bittencourt
Sucursal de A Tarde Eunápolis

Representantes da Renova Energia fazem a apresentação do projeto de construção da PCHEstá causando polêmica no extremo sul baiano o projeto de construção da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Pau Ferro, no Rio Buranhém, em Eunápolis (município localizado a 643 km de Salvador), por parte da empresa Renova Energia. A principal divergência entre os ambientalistas e a empresa é em relação ao local onde deverá ser construída a PCH. De acordo com a Renova Energia a hidrelétrica terá potência estimada de 9,0 MW (megawatts unidade equivalente a um milhão de watts) e o custo será de cerca de R$ 40 (quarenta milhões). As obras devem durar 18 meses e serão iniciadas logo após a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A construção da PCH inundará uma área de cerca de 300Melquíades Spindola (Cepedes) questiona veementemente a contrução da tal usina hectares e causará a relocação de mais de 20 famílias de ribeirinhos.

Pelo projeto da Renova Energia, a hidrelétrica será feita a 106 km da foz do rio, localizada em Porto Seguro, e aproximadamente a 5 km a oeste de Eunápolis. Os ambientalistas contestam o projeto, argumentando que, se o reservatório for feito neste lugar, inundará parte de uma reserva de mata atlântica que há no local. A reserva tem cerca de 20 hectares e já foi tombada com área de preservação pelo município.
Há três anos foi feito um projeto ainda em análise no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília – para que seja transformada em área de proteção ambiental (APA). Ambientalistas afirmam que o reservatório inundará 5 hectares de mata.

Professor Mauro Borges, presidente do ComdauECONÔMIA – O local previsto é circundado por morros próximos ao rio. Os ambientalistas observam que a formação geográfica do local fará com que a empresa economize mais. “Ela só olha isso”, diz o presidente do Conselho de Desenvolvimento e Defesa Ambiental Urbano (COMDAU), Mauro Moreira Borges. “A nossa maior preocupação é com a reserva. Não somos contra a construção da hidrelétrica, mais pela forma que ela está sendo concebida. Do jeito que a coisa vai, os prejuízos para o meio ambiente serão enormes. É preciso que haja uma reunião para mudar o lugar da construção da PCH”. Sugere Borges.

Outra preocupação é quanto ao nível do rio. “Há lugares que antigamente só se
Público composto de jornalistas, ambientalistas e membros da sociedade em geral passava de balsa ou com o cavalo nadando e hoje se atravessa com água no meio das canelas segundo moradores mais antigos de Eunápolis”, garante o presidente do Comdau. Membro do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes), Melquiades Spindola afirma que a capacidade hídrica do Buranhém foi reduzida em 50% nos últimos 20 anos. Hoje, a vazão está em 1.324 metros cúbicos por segundo. “Não há estudos de capacidade hídrica do rio, cujos afluentes estão quase seco. É preciso ter cuidado para não haver a construção e daqui há 10 anos a PCH estará parada e o rio morto. A vazão é um problema sério que não está sendo levado em conta”, afirma Spindola, observando ainda que “o rio está assoreado e a mata ciliar quase inexistente”.

Outro agravante é a questão do abastecimento. Para se ter uma idéia, diz Spindola, a água captada na estação da Empresa Baiana de Saneamento (Embasa) vem com 30% de areia, o que obriga uma draga a trabalhar 24 horas por dia, aprofundando o leito do rio. “E quando botar essa PCH como vai ficar o abastecimento?”, questiona.

Secretário defende a construção

O secretário de Meio Ambiente de Eunápolis, Eli Alvarenga, é a favor da Ely alvarenga, secretário de Meio Municipal de Meio Ambiente de Eunápolisconstrução da hidrelétrica e ainda argumenta: “Serão recuperados 300 hectares mata ciliar e o impacto ambiental será pequeno. O que tem de benefício será muito grande. A cidade e a população vão ganhar com isso. Ela é de interesse do município”.
Alvarenga lembra que em fevereiro deste ano houve uma reunião para discutir o assunto no auditório da Câmara de Vereadores de Eunápolis, quando foi apresentando um vídeo sobre o rio e cuja produção foi atribuída ao Comdau (que nega ter produzido o tal vídeo).  Para o secretário, “tudo está sendo feito com transparência, e Eunápolis precisa da hidrelétrica”.

O diretor de Meio Ambiente da Renova Energia, Ney Maron, informou que a empresa está fazendo um estudo de impacto ambiental sobre a construção da hidrelétrica na região e que já foi pedido, no início deste ano, o licenciamento no Centro de Recursos Ambientais (CRA), que, no entanto, ainda não concedeu a referida licença. “Vamos fazer a obra de acordo com as leis ambientais”, disse Ney Maron, informando que o estudo que está sendo realizado indicará se a PCH deve ser feito no lugar previsto ou não.

A Renova Energia é de responsabilidade da empresa Enerbras Centrais Eletricas Ltda. E consiste no desenvolvimento e na construção de 24 PCHs, distribuídas em sete estados, sendo 15 delas na Bahia, três em Minas Gerais, duas no Mato Grosso do Sul um no Mato Grosso e quatro no Paraná, totalizando todas elas uma potência de 233,4 MW.


Nota da redação: Observem na fotos abaixo a área onde será inundada pelo lago da hidrelétrica esta linda paisagem com arvores centenárias, sedes de fazendas tudo irá desaparecer debaixo da água, será que precisamos desta PCH?????????.

  



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