
Uma acusação do Ministério Público Estadual chamou a atenção dos participantes durante uma reunião do CONDAU- Conselho de Desenvolvimento Ambiental Urbano, realizada no dia 5 desse mês na sede da Associação Comercial de Eunápolis. O promotor João Alves da Silva levantou a questão na presença de mais de quarenta participantes da reunião, inclusive de representantes da Veracel celulose, quando o mesmo afirmou que a empresa invadiu mais de três mil hectares de terras pertencentes à uma reserva indígena no município de Porto seguro, localizada na região de Barra Velha.
A denúncia causou um mal estar entre os representantes da multinacional que participavam da reunião, incluindo quatro advogados e o gerente de terras da empresa, o Sr. Wellington Rezende, que segundo o promotor João Alves, reconheceu para todos que realmente houve a invasão das terras, mas, que a Veracel está providenciando para resolver o impasse, e que a empresa adquiriu as terras em mãos de posseiros.
Em entrevista na manhã do dia 09, na sede do Ministério Público, ao jornal O Farol e ao jornal eletrônico nossacara.com, o representante do Ministério Público questionou a veracidade das certificações conseguidas pela Veracel, diante de tantas irregularidades já comprovadas por órgãos como o Ima-Instituto de Meio Ambiente da Bahia e da própria Secretaria do Meio Ambiente do Estado. Também quer saber
o que levou a empresa SGS a conceder a certificação à Veracel depois de a mesma ter tomado conhecimento de todos os erros cometidos pela Veracel, durante pesquisa realizada na região pela SGS, em que tudo que ouviram da população, de representantes da imprensa regional e até de representantes do ministério público, foram de encontro às normas praticadas pela Veracel celulose, que descredibilizava a mesma a ter a certificação exigida pelos compradores internacionais. Diante desses fatos, João Alves acha que existe favorecimento por parte da Veracel para a mesma conseguir suas certificações, uma vez que a empresa vem apresentando várias irregularidades na região.

“O Ministério Público Estadual denuncia, mas a responsabilidade por investigações de irregularidades praticadas pela Veracel cabe ao Ministério Público Federal e a própria FUNAI que não tem se manifestado sobre a invasão de mais de três mil hectares de terras pertencentes aos índios na região de Barra Velha, município de Porto seguro. Também é comprovado a invasão de terras devolutas pela Veracel, e que os órgão federais e estaduais nada tem feito. Do jeito que vai, não se assuste se acordarmos de manhã e depararmos com plantio de eucalipto no fundo de nossas residências, tamanha é a irresponsabilidade da Veracel com apoio do governo estadual, que, ao invés de coibir, tem dado total apoio, inclusive em já se falando em duplicação da fábrica Veracel”, denuncia João Alves.
O promotor de justiça afirmou que os compradores internacionais, provavelmente desconhecem a origem do produto adquirido pela Veracel. “Será que os compradores internacionais sabem da existência das irregularidades praticadas pela Veracel Celulose? Será que eles sabem que estão comprando produto oriundo de invasões de terras indígenas? O mercado internacional tem que ter conhecimento que o produto que eles estão pagando tem origem ilícita, como direito de índios e receptação de madeira ilegal, dentre outras”, finaliza.
João Alves Neto cobra com veemência ações enérgicas dos órgãos de competência, para coibir o avanço desenfreado da monocultura do eucalipto na região, uma vez que esta tem desobedecido os tramites legais exigidos pela legislação ambiental brasileira.
Por Gil Rocha = jornal O Farol e o Site Canal20.net