
EUNÁPOLIS – Apesar da falha de convocação cometida – e assumida - pelo Instituto de Meio Ambiente (IMA), a Oficina preparatória para a Audiência Pública sobre a duplicação da fábrica da Veracel, realizada ontem, 3, durante todo dia no hotel Portal de Eunápolis, teve boa presença de público, embora se notasse a ausência de segmentos importantes da sociedade civil organizada, talvez por falta de conhecimento do evento.
O IMA apresentou um estudo sobre a situação ambiental da região, único atualizado que se tem conhecimento, mostrando a realidade da monocultura do eucalipto no extremo sul da Bahia.

A diretora geral do Instituto, Bete Wagner, recebeu, no final da manhã, um documento das mãos de Ivonete Gonçalves, do Cepedes, onde entidades ambientalistas e movimentos sociais pedem a moratória do plantio de eucalipto na região e a não concessão da licença ambiental para a duplicação da fábrica da Veracel. Assinam o documento o Cepedes, MST, MLT, Gamba, entre outras entidades.
Bete frisou que há dois anos o estado não libera licença ambiental para plantio de eucalipto. E disse que o IMA tem atuado na fiscalização ambiental com rigor. A diretora disse que acredita no diálogo para solucionar o impasse.
VEREADOR
Pronunciando-se individualmente contrário a duplicação, o vereador Lucas Leite (PT) disse que o município de Eunápolis já teve 14 mil postos de trabalho no campo, na mesma extensão de terras em que hoje a Veracel diz empregar apenas 4 mil pessoas.
CRÍTICAS E COBRANÇAS

Nos diversos pronunciamentos ocorridos pela manhã, sobretudo o do Promotor de Justiça do Ministério Público Estadual, João Alves; do padre José Koopmans; de Zuza, líder do MLT; de Arnold Prado, um dos fomentados da Veracel; a empresa de celulose recebeu muitas críticas e cobranças sobre a monocultura do eucalipto, o crescimento descontrolado do plantio, da prática de crimes ambientais e suspeita de corrupção, da falta de contrapartidas sociais mais significativas, acusações de invasão de terras devolutas e de áreas indígenas, além de uma relação distante com alguns parceiros.
SEGUNDA RODADA
Por enquanto, as manifestações fazem parte da construção de um painel para ser discutido em uma segunda rodada, a ser marcada pelo IMA. O que ficou patente é que a sociedade eunapolitana já demonstra maturidade para discutir essa questão crucial para o desenvolvimento econômico do município e microrregião.
Por Geraldo Alves – Blog. Rede Imprensa Livre
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