
Dar de cara com uma jibóia dentro do carro? E com uma jaguatirica na cozinha? A desordem urbana provoca a invasão dos bichos.
Do site do Jornal Nacional
Ninguém convidou, mas eles agora resolveram aparecer. Cada vez mais. Quando você menos espera, tem visita. É cada bicho.
Foi abrir o capô do carro para o frentista levar um dos maiores sustos da vida dele: uma jibóia, de quase dois metros, em cima da bateria. Difícil de acreditar. O dono do carro filmou tudo.
O bicho foi retirado pela Polícia Ambiental. “To dizendo agora que meu carro é envenenado, de motor envenenado”, conta Pedro Marques, dono do carro.
Susto também na casa de Dona Elza Andrade, num bairro próximo em Vila Velha, na Grande Vitória. “Eu olhei de longe, que eu estava assustada, olhei o gato no chão”, conta ela.
O "gato" que estava na cozinha era uma jaguatirica. Entrou na casa pelo quintal. Procurava comida.
Mais trabalho para a polícia ambiental, que na semana passada foi à outra casa, na cidade de Serra, também na Grande Vitória. Era dia de churrasco, havia uma festa na varanda da casa. Por um momento, todas as atenções se voltaram para um convidado que ninguém imaginava que poderia aparecer. Foi uma tremenda confusão, uma capivara entrou na festa.
O Maicon quase perdeu o dedo com a mordida do bicho.
A Polícia Ambiental recomenda sempre cuidado. “Quando se deparar com um animal desse, é buscar a contenção desse animal, o isolamento, porque se tentar a captura sem o conhecimento técnico ou sem o equipamento necessário corre-se o risco de sofrer uma lição”, orienta o Tenente-Coronel Marchezi, Polícia Ambiental.
No prédio, no bairro nobre de Vitória, a lição foi seguida à risca. No quinto andar, no apartamento do Eudir. “Uma surpresa muito desagradável, você nunca espera um bicho desse em casa”, conta Eudir Faria, empresário.
Uma aranha caranguejeira na parede do corredor. Era quase do tamanho da mão
do estudante Rafael. As portas foram fechadas, o bicho ficou isolado e o estudante preferiu sair do quarto pela janela.
Mas o que está acontecendo afinal? Bicho que deveria estar na mata, passeando pelas cidades. É o reflexo do crescimento urbano desordenado.
“E o próprio processo de expansão residencial, que está fazendo com que as pessoas vão morar onde estes animais moravam”, observa Jacques Passamani, chefe de setor de fauna – IBAMA.