Envelhecimento muda o perfil do eleitorado brasileiro e reduz peso dos jovens nas urnas

Por: Redação
16/08/2026 - 11:01:24

Subtítulo: Em 16 anos, número de eleitores de 16 a 24 anos caiu 5,5 milhões, enquanto o eleitorado com 60 anos ou mais cresceu cerca de 74%; mudança demográfica redesenha o mapa eleitoral do país

Por: Urbino Brito

O envelhecimento da população brasileira começa a produzir efeitos cada vez mais visíveis também nas urnas. Um levantamento do Instituto Nexus, realizado a pedido da Agência Brasil com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra uma transformação significativa no perfil etário do eleitorado entre 2010 e 2026.

Em 16 anos, a participação dos eleitores com idade entre 16 e 24 anos caiu 22%, passando de 18,2% para 12,5% do eleitorado brasileiro. Em números absolutos, a redução também chama atenção: eram 24,7 milhões de jovens eleitores em 2010, contra aproximadamente 19,2 milhões em 2026 — uma queda de 5,5 milhões de pessoas, equivalente a cerca de 22,3%.

A mudança ganha ainda mais relevância quando comparada ao crescimento do eleitorado total. No mesmo período, o número de brasileiros aptos a votar passou de 135,8 milhões para 158,8 milhões, crescimento de aproximadamente 17%.

Ou seja, enquanto o eleitorado brasileiro cresceu, a presença relativa dos jovens diminuiu consideravelmente.

Eleitorado mais velho cresce

Na outra ponta da pirâmide etária, o movimento é justamente o contrário.

Segundo os dados do TSE citados no levantamento, o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu cerca de 74% desde 2010, alcançando atualmente mais de 36,8 milhões de pessoas.

A comparação revela uma mudança estrutural importante: o Brasil não está apenas aumentando o número de eleitores, mas modificando a composição desse eleitorado.

Em 2010, os jovens de 16 a 24 anos representavam 18,2% dos eleitores. Em 2026, passaram a representar apenas 12,5%. Isso significa uma redução de 5,7 pontos percentuais na participação dessa faixa etária.

Em termos relativos, a presença dos jovens no eleitorado atual é aproximadamente 31% menor do que era em 2010.

Uma mudança que pode influenciar as eleições

A transformação demográfica tem consequências importantes para o cenário político. Embora cada eleitor tenha o mesmo peso na contagem dos votos, a distribuição das faixas etárias pode influenciar as estratégias de partidos e candidatos.

Com mais de 36,8 milhões de eleitores acima dos 60 anos, esse segmento representa hoje uma parcela expressiva do eleitorado nacional. Ao mesmo tempo, os jovens entre 16 e 24 anos somam cerca de 19,2 milhões.

A diferença é significativa: o eleitorado 60+ é aproximadamente 92% maior que o contingente de eleitores de 16 a 24 anos.

Outro dado chama atenção. Em 2010, havia aproximadamente 1,5 jovem eleitor para cada eleitor com 60 anos ou mais, considerando os números apresentados no levantamento. Em 2026, a relação se inverteu de maneira expressiva: são aproximadamente 0,52 jovem para cada eleitor 60+.

Isso representa uma mudança profunda na estrutura etária do eleitorado brasileiro.

Juventude perde espaço, mas continua estratégica

Apesar da redução, os jovens continuam representando quase um em cada oito eleitores brasileiros. São milhões de votos que podem ser decisivos em eleições acirradas.

A diferença é que, proporcionalmente, esse grupo perdeu espaço enquanto as faixas etárias mais maduras ganharam participação.

Em eleições marcadas por disputas apertadas, pequenas mudanças na composição do eleitorado podem ter grande importância. O resultado de 2022, por exemplo, foi definido por uma diferença inferior a 2 milhões de votos entre os dois candidatos mais votados no segundo turno.

Nesse contexto, cada segmento do eleitorado pode assumir importância estratégica.

O Brasil que vai às urnas está mudando

Os números mostram que a mudança não é apenas eleitoral, mas demográfica. O país está envelhecendo, e essa transformação já aparece claramente no perfil de quem possui título de eleitor ativo.

A tendência aponta para um eleitorado progressivamente mais maduro, ao mesmo tempo em que diminui a participação proporcional dos mais jovens.

Para partidos, candidatos e especialistas em comportamento eleitoral, compreender essa transformação será cada vez mais importante. As demandas, prioridades e preocupações de uma população mais envelhecida podem produzir efeitos sobre o debate público e sobre as estratégias adotadas nas campanhas eleitorais.

Os números da transformação

  • Eleitorado total: 135,8 milhões → 158,8 milhões (+17%)
  • Jovens de 16 a 24 anos: 24,7 milhões → 19,2 milhões (-22,3%)
  • Participação dos jovens: 18,2% → 12,5% (-5,7 pontos percentuais)
  • Eleitores 60+: mais de 36,8 milhões em 2026 (+74% desde 2010)
  • Diferença entre jovens e 60+: o eleitorado 60+ é atualmente cerca de 92% maior que o grupo de 16 a 24 anos.

Mais do que uma simples estatística eleitoral, os números revelam uma transformação silenciosa na sociedade brasileira. À medida que o Brasil envelhece, também envelhece o eleitorado — e essa mudança poderá ter impacto crescente nas eleições dos próximos anos.

Com informações da Agência Brasil

 

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