A esperança ainda pulsa

Por: NossaCara.com
08/07/2008 - 04:34:26

Por: Guilherme Ferreira da Silva

Corrupção não é novidade em parte alguma do mundo. No Brasil, é uma instituição muito associada à classe política e aos crimes do colarinho branco, embora viceje em toda a sociedade e sob várias formas que não são o caso enumerar aqui por falta de espaço e risco de se esquecer várias delas.

O fato é que ela é praticada por desde o mais miserável ao mais afortunado ser humano. O que faz da corrupção objeto de desejo é, entre outras coisas, a inversão de valores sociais legitimados por um judiciário arcaico, reacionário, fisiologista e elitista, que carrega em si o germe da corrupção. As leis, desde Hamurabi, sempre foram criadas “por quem domina e denomina”, como dizia o Filósofo Fernando Bastos. No Brasil, o judiciário foi formado por quem pertencia ou servia à classe dominante, instituindo relações de compadrio no sistema judiciário, que se perpetuam até hoje.

A imunidade parlamentar e o não acesso à Justiça são claras inversões de valores tolerados e perpetrados pelo judiciário. A imunidade foi criada para proteger o parlamentar de censura e regimes de exceção. Com a benção da Justiça, ela se tornou uma instituição que, sem medo de errar, pode mudar o nome para impunibilidade parlamentar, ou seja, é proibido punir parlamentares.

Quando flagrado em pleno exercício de corrupção, o parlamentar busca refúgio no foro privilegiado para se ver livre dos convenientes e flexíveis rigores da Lei. A esquizofrenia da Justiça se dá quando ela despeja na cabeça dos despossuídos de informação todos os rigores da Lei. Ao contrário, ela e oferece todo tipo de atenuantes justamente para aqueles que sempre têm acesso à informação e, em geral, como pagar bons burladores da Lei, também chamados de advogados.

Dizem que o voto é a melhor arma para banir da vida pública funcionários salafrários eleitos de forma direta. De certo será no dia em que a população souber usá-la, o que ainda está longe de acontecer. Porque votar é um processo em que a sociedade deve estar envolvida, participando ombro a ombro com os postulantes a cargo público. E não uma corrida de siglas à cadeira pública mais próxima, cuja vitória se deve mais a um golpe de márquetim, vazio de propostas e coberto com pirotecnia publicitária, que ao debate de idéias e apresentação de propostas de políticas públicas mais democráticas.

Dizem também que, cada povo tem o governo que merece. A julgar pela classe política do extremo sul baiano, seu povo dever ter cometido os mais infames pecados para merecer uma classe política tão rastaqüera e pobre. Os políticos do extremo sul baiano, a exemplo dos de outras regiões brasileiras cuja formação foi orientada num universo coronelista, não sabem fazer outro tipo de política que não seja a do toma lá dá cá.  

O povo da Bahia merece os políticos que têm, na medida em que esses são os coronéis que colocaram a Bahia em último lugar em educação e o povo nos currais, para se perpetuarem no poder. Acredito que se o povo tivesse acesso democrático à informação, eles não estariam no poder. De resto, ufanar-se merecedor do voto de um povo analfabeto e excluído, por meio de promessas fantasiosas e favores a poucos, dá bem a medida do sacripanta que não tem a mínima identidade com a Res Publica e é movido apenas pela locupletação.

Um dia, quando as pessoas se interessarem mais pelo que se passa em sua vizinhança e menos pelo beijo que a atriz da moda deu no cantor do momento, teremos educação, saúde, moradia, transporte, lazer, trabalho e demais direitos reconhecidos sem ter que agradecer a esse ou àquele político. O Tribunal de Contas da União - TCU divulgou uma lista com nomes de servidores públicos envolvidos em processos cujas contas foram rejeitadas. Oxalá que poucas gerações se passem até que não seja mais preciso listas desse tipo. Seja como for, enquanto não desenvolvemos outra relação entre nós, segue o endereço da tal lista para, aos poucos, eliminar um pouco da lavagem fétida que nos servem:

http://www4.tcu.gov.br/contasirregulares/ContasIrregulares.pdf

O Analfabeto Político
Bertolt Brecht
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

 

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