Preço do 🌱 Cacau das Alturas ao Abismo

Por: Redação
18/02/2026 - 10:40:00

Entre recordes históricos e quedas vertiginosas, produtores vivem o dilema de colher ou arrancar os pés

Por: Urbino Brito

O mercado do cacau vive um dos momentos mais dramáticos das últimas décadas. Depois de atingir preços históricos nas bolsas internacionais, impulsionados por quebras de safra na África e problemas climáticos severos, o grão que já foi símbolo de riqueza e estabilidade passou a enfrentar oscilações bruscas que estão tirando o sono de produtores no Brasil e no mundo.

Em 2024, contratos futuros negociados na bolsa de Nova York chegaram a ultrapassar patamares nunca vistos, impulsionados pela crise produtiva em países como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por mais de 60% da produção mundial. A escassez elevou os preços a níveis recordes, gerando euforia no campo e reacendendo a esperança de dias melhores para os produtores brasileiros.

Mas o mercado, como sempre, não perdoa o despreparo.

A alta que parecia redenção

Com os preços disparando, muitos produtores viram a chance de recuperar prejuízos acumulados ao longo de anos marcados por doenças como a vassoura-de-bruxa, custos elevados de insumos e crédito escasso. O cacau voltou a ser manchete positiva.

No sul da Bahia — berço histórico da cacauicultura brasileira — o clima era de cauteloso otimismo. Pequenos e médios produtores começaram a investir em adubação, renovação de lavouras e tecnologias de manejo mais modernas.

Parecia o renascimento de um gigante adormecido.

A queda vertiginosa e o medo no campo

Mas o mercado internacional é movido por especulação, contratos futuros e ajustes globais. Após o pico histórico, vieram correções bruscas. Fundos realizaram lucros, estimativas de safra foram revistas e o preço começou a oscilar com violência.

Em poucos meses, o que era euforia virou apreensão.

Produtores que haviam planejado investimentos contando com preços elevados passaram a temer endividamento. A volatilidade acentuada trouxe um dilema real: continuar apostando no cacau ou substituir a cultura por alternativas mais previsíveis?

Em algumas regiões, já há relatos de agricultores cogitando arrancar parte das plantações, migrando para pecuária, eucalipto ou outras culturas de ciclo mais estável.

Clima, custo e incerteza

Além da instabilidade do mercado internacional, o produtor brasileiro enfrenta desafios internos:

  • Aumento no custo de fertilizantes e defensivos

  • Escassez de mão de obra

  • Eventos climáticos extremos

  • Crédito rural mais restritivo

O cacau é uma cultura perene, de retorno a médio e longo prazo. Arrancar um pé não é apenas uma decisão econômica — é quase um ato emocional. São anos de cuidado, investimento e tradição envolvidos.

O futuro do chocolate começa no campo

Enquanto o consumidor paga mais caro pelo chocolate nas prateleiras, o produtor lida com um mercado que pode transformar lucro em prejuízo em questão de semanas.

Especialistas defendem políticas de apoio mais robustas, incentivo à industrialização local e fortalecimento de cooperativas como caminhos para reduzir a vulnerabilidade às oscilações externas.

O cacau brasileiro tem qualidade reconhecida mundialmente, especialmente no segmento premium e de origem. O desafio agora é transformar essa qualidade em estabilidade.

Entre arrancar e resistir

O momento é de decisão. Para muitos produtores, arrancar os pés de cacau significa encerrar uma história familiar de gerações. Para outros, resistir pode representar apostar num mercado que ainda promete forte demanda global no longo prazo.

O cacau já enfrentou pragas, crises e colapsos. Sobreviveu.

A pergunta que ecoa no campo hoje é:
o mercado vai permitir que ele sobreviva mais uma vez?

 

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